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Categoria: Link
Escrito por luís roberto carvalho às 13h59
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a canalhice exacerbada com o pensamento libertário sempre fica ensandecida com o ideal igualitário e pede ajuda å cretinice e outros agentes totalitários.
Escrito por luís roberto carvalho às 09h28
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texto que perpassa a narrativa de "Asas do Desejo"
direção: Wim Wenders roteiro: Wim Wenders e Peter Handke
"Quando a criança era criança, andava balançando os braços. Desejava que o riacho fosse rio, que o rio fosse torrente e essa poça, o mar. Quando a criança era criança, não sabia que era criança. Tudo era cheio de vida, e a vida era uma só. Quando a criança era criança não tinha opinião não tinha hábitos, sentava-se de pernas cruzadas, saía correndo tinha um redemoinho no cabelo e não fazia pose para fotos. Quando a criança era criança, detestava espinafre, ervilhas, arroz-doce e couve flor refogada. Agora ela come de tudo, e não apenas porque precisa. Quando a criança era criança, acordou numa cama estranha e hoje isso é freqüente. Muitas pessoas lhe pareciam bonitas antes hoje é raro, só com sorte. Tinha uma visão clara do paraíso hoje consegue apenas supor. Não conseguia imaginar o nada hoje treme ao pensar. Quando a criança era criança, brincava com entusiasmo. Hoje, só se entusiasma quando seu trabalho está resolvido. Quando a criança era criança era tempo destas perguntas: Por que eu sou eu e não você? Por que estou aqui e não ali? Quando começa o tempo e onde termina o espaço? será que a vida debaixo do sol nada mais é do que um sonho? Quando a criança era criança vivia de maçãs e pão e ainda é assim. As nozes deixavam sua língua áspera, e ainda o fazem. Ao chegar ao topo da montanha, queria outra mais alta. em cada cidade, deseja outra cidade maior. E ainda o faz. Subia nas árvores para colher cerejas com grande alegria, como hoje ficava tímida diante de estranhos e ainda fica. Aguardava a primeira neve e continua aguardando. Quando a criança era criança atirou uma lança de madeira contra uma árvore a qual trêmula ainda hoje. Eu agora sei o que nenhum anjo sabe."
Escrito por luís roberto carvalho às 09h22
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mais um no viaduto
outro dia estava atravessando um desses vários viadutos que existem na metrópole e não pude deixar de notar um sujeito cabisbaixo que não desgrudava os olhos de uma foto que segurava entre as mãos. percebi que havia merda ali e, não conseguindo resistir, atrevi-me a voltar e puxei assunto com a figura: - com licença, está tudo bem? nisso ele se virou para mim e pude ver seus olhos cheios de lágrimas. mostrou a foto, uma bela mulher dona de um sorriso mais belo ainda. - bonita. disse - é. minha ex-mulher. ela acabou de me deixar. - puxa, que pena. e é por isso que você está aqui? ele respondeu com um sim meio engasgado. - não sei porque ela me deixou. eu a amava tanto... - tá, e é por isso que você está querendo dar um mergulho no meio do trânsito. ele arregalou o olho surpreso. - tá surpreso porque, parceiro? pensa que é o único no mundo que já pensou em fazer isso? pensa que é o único que sofre com a velha dor de cotovelo? - não! mas no meu caso... ela não tinha nenhum motivo... - espera aí meu velho. motivos ela deve ter de monte. mesmo olhar esbugalhado. - como assim? você conhece minha mulher?! - calma aí. não conheço nem ela e nem você. mas para mim está na cara... por acaso você gostaria de ser responsável pela infelicidade da garota? - eu?! claro que não! - então. você acha que ela tem a obrigação de te amar? - como assim? - parceiro, as coisas são o que são. amor, se não é bem cuidado, acaba. e olha que isso pode acontecer mesmo se tomando todos os cuidados. - mas ela não podia fazer isso comigo. eu fazia tudo por ela. - foi aí que você se ferrou. fazia tudo por ela e se esquecia de você. você acha que mulher quer homem para servir de capacho para ela? - como assim? - se liga maninho. tu caiu no conto do "vigário sem estima". e agora está querendo se fazer de vítima e jogar a culpa na sua ex-mulher. escuta só: já pensou se ela fica sabendo do seu lance? você está mostrando para ela que ela estava com a razão, está mostrando que ela se casou com um fraco de um babaca. nisso o cara começou a chorar a cântaros. - pode chorar velho, não tem motivo para se envergonhar. eu mesmo, quantas vezes já passei por isso: quantos choramingos a madrugada não teve que agüentar. - e você suportou? - tu não tá me vendo aqui? - é... estou... - então cara. agora limpa essa cara de merda e levanta a cabeça. tá cheio de mulher por aí, caralho! uma mais carente que a outra. uma mais bonita que a outra. mulher não é a solução dos seus problemas, mas que faz falta faz. - nem me fala... estou numa solidão danada. - bom, espera aí que você está insultando uma amiga minha. - mas quem? - a solidão. se for falar mal dela eu que vou te jogar daqui. - mas... mas... é muito duro estar sozinho. - bom, pelo jeito estou começando a dar razão para sua ex-mulher. - mas por quê? - se nem você se agüenta, como é que quer que outra pessoa te agüente? o sujeito ficou mudo. - e olha só: estou indo na padaria e vou passar por aqui daqui quinze minutos. se eu te achar por aqui eu chuto seu traseiro. fui até a padaria, comi um churrasco com queijo, bebi algumas cervejas e quando voltei já havia se passado mais ou menos uma hora. quando cheguei no viaduto não encontrei o sujeito. olhei para baixo para ver se ele tinha pulado, e nada do sujeito. só encontrei o predicado: a foto rasgada da ex-mulher. fui pra casa com aquela sensação de que tinha feito uma boa ação. será?
Escrito por luís roberto carvalho às 17h59
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sabotando meu destino, vou exercitando o livre arbítrio; livre do condicionante embutido, do aconchego dos subterfúgios assumidos: o extermínio do eu prevalecido. poderia ceder, mas tenho vergonha de meus valores parecerem uma bronha ou aquele drehier envelhecido como aquele ditado chinês: de que vale a fama e a reputação sem o mérito e a honradez? mais vale o livre arbítrio de qualquer maluco sem destino, que virar gado por medo de comandar seu desatino.
Escrito por luís roberto carvalho às 14h36
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hoje sonhei com o dia em que as ofenças não mais tinham o peso de antigamente. elas passavam diluídas pelos nervos, e os nervos não mais as retinham como antigamente. sensação estranha e confortável. e não me incomodava mais o desrespeito entre as pessoas: vi atropelamentos e nada senti; vi assaltos a mão armada, homicídios, brigas de rua, e nada daquilo moveu um só fio de cabelo de minha cabeça. nem as pessoas que maldiziam-me eram capazes de me tirar daquela leve e estranha sensação. só uma coisa não havia mudado: a tristeza. esta continuava em seu devido lugar. e não havia nada de mal nisso. não se tratava de desespero ou dramalhão, era como uma leve brisa, uma garoa que acariciava meu íntimo. e então percebi que o que havia mudado era que as pessoas haviam perdido total significado. elas existiam, mas não tinham mais valor algum dentro de meu mundo. significativa era aquela tristeza calma que clamava lá dentro. e não tinha problema algum.
Escrito por luís roberto carvalho às 14h01
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mostra do audiovisual paulista
e enfim aconteceu a exibição do autofagia na mostra do audiovisual paulista. tirando o nervosismo por estar perdendo a virgindade na telona, foi melhor que as expectativas. deixo sublinhado a democracia com relação ås escolhas dos formatos dos filmes: tanto experimentais, quanto mais próximos ao formato clássico. no meu ver, todos de alto nível dentro de suas propostas. fora o público, que eu achava que seria em menos número, se comportou da melhor forma possível. é isso. valeu!
Escrito por luís roberto carvalho às 10h18
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quando se conhece as pessoas, a primeira impressão pode até ficar por alguns momentos, mas ela não perdura. o que mais existe hoje em dia são sorrisos sedutores, porém eles sempre acabam enegrecidos pela convivência diária, ainda mais se for o caso de pessoas ávidas por conquistarem as coisas que estão ditando a moda: efemeridades. não é fácil encontrar sujeitos que não caíram de joelho embaladas pelo brilho lusco-fosco do luxo; do que tem valor pueril. que cada um cuide de seu corpinho bem-malhado, pois suas almas já foram tragadas pela escuridão.
Escrito por luís roberto carvalho às 17h51
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