


|
 |
|
|
| |
"Não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos de cultura original, nada nos é estrangeiro, pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro. O filme brasileiro participa do mecanismo e o altera através de nossa incompetência criativa em copiar. O fenômeno cinematográfico no Brasil testemunha e delineia muita vicissitude nacional. A invenção nascida nos países desenvolvidos chega cedo até nós."
Paulo Emilio Salles Gomes
Escrito por luís roberto carvalho às 13h45
[]
[envie esta mensagem]
[link]

compartilho meu presente de natal e desejo feliz natal a todos.
"O Guardador de rebanhos"
"Num meio dia de primavera Tive um sonho com uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu. Era nosso de mais da fingir De segunda pessoa da Trindade. No céu tudo era falso, tudo em desacordo Com flores e árvores e pedras. No céu tinha que estar sempre sério E de vez em quando de se tornar outra vez homem E subir para a cruz, e estar sempre a morrer Com uma coroa toda à roda de espinhos E os pés espetados por um prego na cabeça, E até com um trapo à roda da cintura Como os pretos nas ilustrações. Nem sequer o deixavam ter pai e mãe Como as outras crianças. O seu pai era duas pessoas – Um velho chamado José, que era carpinteiro, E que não era pai dele; E o outro pai era uma pomba estúpida, A única pomba feia do mundo Porque não era do mundo nem era pomba. E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala Em que ele tinha vindo do céu. E queriam que ele, que só nascera da mãe, E nunca tivera pai para amar com respeito, Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir E o espírito andava a voar, Ele foi à caixa dos milagres e roubou três. Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido. Com o segundo criou-se eternamente humano e menino. Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz E deixou-o pregado na cruz que há no céu E serve de modelo às outras. Depois fugiu para o sol E desceu pelo primeiro raio que o apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo. É uma criança bonita de riso natural. Limpa o nariz ao braço direito, Chapinha nas poças de água, Colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, Rouba a fruta dos pomares E foge a chorar e a gritar dos cães. E, porque sabe que elas não gostam E que toda a gente acha graça, Corre atrás das raparigas Que vão em ranchos pelas estradas Com as bilhas às cabeças E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores Mostra-me como as pedras são engraçadas Quando a gente as tem na mão E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus. Diz que ele é um velho estúpido e doente, Sempre a escarrar no chão E a dizer indecências. A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia. E o Espírito Santo coça-se com o bico E empoleira-se nas cadeiras e suja-as. Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica. Diz-me que Deus não percebe nada Das coisas que criou – “Se é que ele as criou, do que duvido” – “Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória, Mas os seres não cantam nada. Se cantassem seriam cantores. Os seres existem e mais nada, E por isso chamam-se seres”. E depois, quando cansado de dizer mal de Deus, O Menino Jesus adormece nos meus braços E eu levo-o ao colo para casa.
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. Ele é o humano que é natural, Ele é o divido que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda certeza Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina É esta minha quotidiana vida de poeta, E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre, E que o meu mínimo olhar Me enche de sensação, E o mais pequeno som, seja do que for, Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo Dá-me uma mão a mim E a outra a tudo que existe E assim vamos os três pelo caminho que houver, Saltando e cantando e rindo E gozando o nosso segredo comum Que é o de saber por toda a parte Que não há mistério no mundo E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre. A direção do seu olhar é o seu dedo apontando. O meu ouvido atento alegremente a todos os sons São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro Na companhia de tudo Que nunca pensamos um no outro, Mas vivemos juntos e dois Com um acordo íntimo Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas No degrau da porta de casa, Graves como convém a um deus e a um poeta, E como se cada pedra Fosse todo um universo E fosse por isso um grande perigo para ela Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens E ele sorri, porque tudo é incrível. Ri dos reis e dos que não são reis, E tem pena de ouvir falar das guerras, E dos comerciários, e dos navios Que ficam fumo no ar dos altos-mares. Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade Que uma flor tem ao florescer E que anda com a luz do sol A variar os montes e os vales E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o. Levo-o ao colo para dentro de casa E deito-o, despindo-o lentamente E como seguindo um ritual muito limpo E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma E às vezes acorda de noite E brinca com os meus sonhos. Vira uns de pernas para o ar, Põe uns em cima dos outros E bate as palmas sozinho Sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho, Seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é.
Esta é a história do meu Menino Jesus. Porque razão que se perceba Não há de ser ela mais verdadeira Que tudo quanto os filósofos pensam E tudo quanto as religiões ensinam?"
Alberto Caeiro.
Escrito por luís roberto carvalho às 15h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Mais um no viaduto
Sábado passado, passando pelas mesmas ruas rotineiras de fim de semana em direção à padaria, me vejo no viaduto, e olhem essa, tive um dejavú: era a mesma cena do sujeito cabisbaixo ancorado ao parapeito do dito. Pensei em voz alta: – Putz, mais um... Enquanto ia me aproximando, ia imaginando se devia fazer o mesmo que fiz na outra ocasião. Ou se deixava o sujeito simplesmente se espatifar no meio do trânsito na avenida logo abaixo. O engraçado da cena era o chapéu verde que ele ostentava. Mais engraçado ainda foi quando me aproximando não pude deixar de notar as orelhas pontiagudas que chegavam a saltar fora do chapéu. Aquela orelha me intrigou. Intrigaram-me mais ainda os mesmos olhos vermelhos e lacrimosos. – Ih, cara. Já vi essa cena... – Desculpe, não queria te afligir. – Desencana que isso não aflige mais ninguém dessa cidade. – Como? – Deixa pra lá. Qual é o seu nome? – Meu nome é Peter. E o seu? – Deixa pra lá... Escuta Peter. Tá admirando a paisagem? Ele disse que não, e olhou para uma foto que trazia em sua mão que até então não tinha notado. Pensei comigo: puta-que-pariu! Ele gaguejou algumas frases incompreensíveis e já logo fui perguntando de onde ele era. – Sou de uma terra bem distante. – Ah! Você é do norte. – Sim. É só seguir a Estrela Polar Ártica... Imaginei que o cara tinha tomado alguma coisa. Além do cara se matar, ainda está dopado e tirando uma da minha cara. Imaginei que aquilo poderia deixar de ser um suicídio e se transformar num homicídio. – Ah! A Estrela Polar Ártica... – É só seguir até os primeiros raios do amanhecer. – Ah! Até os raios do amanhecer... Escuta aqui o palhaço, estou tentando te ajudar a não fazer merda. Agora, se você tá a fim de ficar tirando onda da minha cara, eu posso te dar uma força aí no seu vôo para Terra do Nunca. – Infelizmente meu caro, nem que você quisesse, poderia me ajudar nisso. A Sininho me enganou. – Você tá realmente querendo que lhe quebre a cara. – Como assim? – Cê tá louco ou é ator fazendo laboratório pra peça infantil? – Peça infantil? Que peça infantil? – Tá bom. Vou fingir que não conheço o Peter Pan... – Você me conhece?
continua...
Escrito por luís roberto carvalho às 14h07
[]
[envie esta mensagem]
[link]

blog do velho safado
http://www.raffa-bingo.blogspot.com/
para quem gosta de quadrinhos e artes experimentais: esse é o canto do cara
Categoria: Link
Escrito por luís roberto carvalho às 12h53
[]
[envie esta mensagem]
[link]

quando bêbado, fico dócil e sinto saudades disso. então bebo novamente a ficar sem compromisso.
Escrito por luís roberto carvalho às 12h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]

a ira pode ser condensada em leves goles de conhaque. um, depois dois, depois três. e amanhã começa tudo de novo: um, depois dois, depois três.
Escrito por luís roberto carvalho às 12h33
[]
[envie esta mensagem]
[link]

importante é manter-se correto meditar de corpo ereto compartilhar coisas com afeto circunspecto coisas mínimas, como um olhar que te faz sorrir e cantar mesmo para estranhos que não possuem teto.
Escrito por luís roberto carvalho às 12h32
[]
[envie esta mensagem]
[link]

aos amigos de ontem, de hoje e de amanhã
saudades sempre! mas a vida clama
Escrito por luís roberto carvalho às 12h28
[]
[envie esta mensagem]
[link]

"Matisse - Escritos e Reflexões sobre Arte"
"Durante toda minha vida me senti acuado porque não pintava como os outros."
DÁ PRA ACREDITAR!?
"As regras não existem fora dos indivíduos; caso contrário, qualquer professor seria tão genial quanto Rancine."
"Um artista nunca deve ser: prisioneiro de si mesmo, prisioneiro de um estilo, prisioneiro de uma reputação, prisioneiro de um sucesso etc. Não escreveram os Goncourt que os artistas japoneses da grande época mudavam de nome várias vezes ao longo da vida? Isso me agrada: eles queriam preservar a liberdade."
"(...) a criação, para o artista, começa pela visão. Ver já é uma operação criativa e que exige esforço. Tudo o que vemos na vida corrente sofre maior ou menor deformação gerada pelos hábitos adquiridos, e esse fato talvez seja mais sensível numa época como a nossa, em que o cinema, a publicidade e as grandes lojas nos impõem diariamente um fluxo de imagens prontas, que, em certa medida, são para a visão aquilo que o preconceito é para a inteligência. O esforço necessário para se libertar delas exige uma espécie de coragem; e essa coragem é indispensável ao artista, que deve ser a vida toda como quando era criança"
e para finalizar
"É preciso resistir sempre, custe o que custar."
Henry Matisse
Escrito por luís roberto carvalho às 12h16
[]
[envie esta mensagem]
[link]

"É preciso mostrar a face escura do pecado para fazer brilhar a face iluminada da virtude" Griffth
Escrito por luís roberto carvalho às 08h48
[]
[envie esta mensagem]
[link]

olhando pela janela só vejo o lado de dentro os nervos, as vísceras se contorcendo mas o que queria mesmo era ver o sol nascendo
Escrito por luís roberto carvalho às 08h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]

não sei o que o amanhã aguarda, mas o futuro eu vivo hoje. retalhando emoções cadentes, agigantando imagens pungentes e dando vazão a ações inconseqüêntes. no limiar do fio da navalha. resgando rg's envelhecidos, despertando monstros adormecidos. que o coração me aguente, porque o tédio moral está longe de me alcançar. preciso das amplidões do cosmos.
Escrito por luís roberto carvalho às 08h44
[]
[envie esta mensagem]
[link]

"Só"
"Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar de fonte igual à deles; e era outra a origem da tristeza, e era outro o canto, que acordava o coração para a alegria. Tudo o que amei, amei sozinho. Assim, na minha infância, na alba da tormentosa vida, ergueu-se, no bem, no mal, de cada abismo, a encadear-me, o meu mistério. Veio dos rios, veio da fonte, da rubra escarpa da montanha, do sol, que todo me envolvia em outonais clarões dourados; e dos relâmpagos vermelhos que o céu inteiro incendiavam; e do trovão, da tempestade, daquela nuvem que se alterava, só, no amplo azul do céu puríssimo, como um demônio, ante meus olhos."
Edgard Allan Poe
Escrito por luís roberto carvalho às 13h43
[]
[envie esta mensagem]
[link]

xô 2007
pois é, o ano vai terminando depois de vários sufocos e atropelos. muita nóia e muito trampo. hora de arrancar a velha carcaça e jogar nos abismos do oceano profundo. chegou o som tratado do causo, moda: catira (até que enfim e não graças å renata) autofagia parido a fórceps, feito na pura raça e sem equipe nenhuma já passou em duas mostras, e olha que nem sei se esperava alguma coisa ou não, devido ao formato indigesto. foi um ano que foi pegando no tranco que acabou gerando certos solavancos. tô cansado pra caralho! tanto o físico quanto mentalmente. agora é ir levando o que sobrou de mim até o fim de semana. roteiro do curta terminado, mas o projeto não. ai ai. semana que vem buricity: pé descalço, peixe frito e a sobrinhada alugando pra brincar junto. espero que deixe o ogro trancafiado no apê. tô cansado.
Escrito por luís roberto carvalho às 13h23
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|
|
|
| |
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
|
|
|