Conexão Mundo da Lua
Dá pra ver muita coisa daqui de cima, Mas a visão é meio turva, muita neblina. Vejo daqui de um meridiano ao outro, E apesar da amplidão, tem hora Que não enxergo direito, e vejo umas Coisas meio nubladas, com certo defeito. Tirando isso, é tudo lindo, é tudo azul. E essa é parte boa quando se tem; Quando se vive com a cabeça Tendo a lua como próprio mundo. Um café, um domeq, um cigarro; Aqui tudo é muito blues. Mas o bolso se recente e desagrada Quando fazemos da lua nossa morada. Quem não liga muito para isso É São Jorge de São Sebastião: Se diverte eternamente lutando contra seu Dragão.
Escrito por luís roberto carvalho às 19h47
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Sobre a Pintura Contemporânea
A pintura é um caso de linguagem de arte autônoma entre outras, e apesar das escolhas e teorias estéticas ou poéticas de cada representante de linhagens e programas diferentes, o fato é que o que sempre existe como sua preposição é o jogo com a tinta. Fazendo um contraponto junto à literatura, que se divide em dois universos: a prosa e o verso; universos esses que vão se subdividindo, como numa árvore genealógica, em compartimentos ainda mais fechados. No caso da prosa, se subdivide entre linguagens da ficção (contos, novelas, romances) e a, digamos, documentais (ensaios e crônicas). Já no caso do verso podemos citar, só para exemplificarmos, as redondilhas, os versos alexandrinos, decassílabos, e os livres em geral. Porém, todas essas linguagens bebem de uma mesma fonte: o jogo com as palavras, com a linguagem verbal. Acontece o mesmo com relação à pintura. Apesar de se valer da mesma matéria-prima (o jogo com a tinta), cada linguagem pictórica (aquarela, guache, acrílica, óleo, etc.) existem e exigem técnicas autônomas entre si; prescindem tratamentos diversificados com relação ao tipo de pigmento utilizado. Seria uma blasfêmia dentro do âmbito acadêmico tratar uma tinta a óleo da mesma maneira que um acrílico ou, indo mais além, com a fluidez de uma aquarela. Isso iria contra toda a história da arte pictórica e seria visto como um anacronismo ou até taxado como ignorância pelos especialistas de plantão. Talvez por essa razão estanque que de tempos em tempos é anunciada a morte da pintura como linguagem artística, pois como disse, mantendo-se como técnicas estanques, não evolui junto aos paradigmas estéticos que nunca cessam de se transformar. Então como pensar a pintura dentro do conceito de Arte Contemporânea, que traz como um de seus mais fortes paradigmas, a noção de efemeridade? Como pensar em termos de uma Pintura Contemporânea, não atentando apenas a programas poéticos, e sim, colocando em questão a própria técnica pictórica? Penso que a saída para esse tipo de questão seria a contravenção técnica, ou seja, porque não utilizar o óleo da forma de uma aguada de aquarela? Além da fluidez adquirida desse tipo de técnica da aquarela, ganharia em termos plásticos, o brilho que nenhuma aquarela conseguiria obter. Um problema decorrente estaria no tempo levado para tal quadro secar. Mas com uma boa dose de paciência, e consciência das experiências que podem ser levadas a cabo com os tipos de secantes existentes, poderia realmente, a Pintura ser tratada como Contemporânea. Porque de resto, é sempre tudo mais do mesmo.
Escrito por luís roberto carvalho às 19h45
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