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Blog de luís roberto carvalho
 


www.viapolitica.com.br

Pré-sal: A salvação do Brasil
.
Por Reinaldo Cabral, de Maceió

Plataforma da Petrobras
Um país que depende de mudanças políticas profundas pode sonhar que o pré-sal é nosso?

A exploração das jazidas do pré-sal – cerca de 50 bilhões de barris de óleo cru da melhor qualidade reservados sob camada de sal a 7.000 metros de profundidade, em 800 km marítimos de extensão entre Santa Catarina e Espírito Santo – poderá colocar o Brasil num patamar econômico semelhante a Arábia Saudita e a Venezuela hoje.

Mas, para o Brasil ser posto na trajetória de um país-cidadão terá que se encorajar a fazer as mudanças profundas em sua política e economia. O que só será possível com a realização de uma Assembléia Nacional Constituinte capaz de varrer os entulhos do passado e do presente.
Entretanto, com este Congresso Nacional atual, onde quase 80 % dos seus componentes são venais e detêm características de uma grande quadrilha de assaltantes e lesa-pátrias, qual seria o destino de tamanha riqueza? Os bolsos e as contas bancárias de cada um deles e dos grupos transacionais.

O que sobraria para os 45 milhões de brasileiros sem-teto e os 140 milhões de sem-terra, os 120 milhões de analfabetos e semi-analfabetos e sem acesso aos serviços de saúde? Nada.
Daí, ser a CPI da Petrobras o espaço onde, que queira o governo ou não, devem ser apreciadas e aprovadas, apesar desse Congresso, as primeiras orientações capazes de definir os rumos do pré-sal.

Essa perplexidade não pode ser desfeita com facilidade se olharmos que a única campanha nacional de peso e definidora dos rumos da política e economia brasileira do século XX envolveu justamente o petróleo. Lá atrás, em meados da Revolução de 1930, o brasileiro Monteiro Lobato lançava as bases da campanha “O petróleo é nosso” que, embora não houvesse recursos para precipitar o ingresso do país na etapa de exploração industrial, pelo menos afastou os inúmeros interesses estrangeiros que ambicionavam controlar o setor.

Em Potência Brasil - Gás natural, energia limpa por um futuro sustentável , livro de 114 páginas assinado por 11 autores e organizado pelos jornalistas Omar L. de Barros Filho e Sylvia Bojunga (editado em 2008 pela Laser Press Comunicação, de Porto Alegre) são relembrados lances de uma campanha unificadora onde, de um lado, estavam os brasileiros que amavam sua pátria, e, do outro, brasileiros que fingiam amar o Brasil mas se aliavam às forças econômicas externas. Em 1953, porém, um ano antes de se suicidar, o presidente Getúlio Vargas, dá a sentença final: sanciona a lei criando a Petrobras.

Por que o Brasil paga o preço do seu ingresso na industrialização retardada? Os percalços vencidos de lá para cá emprestaram consistência ao que vai ocorrer agora: o domínio da tecnologia de perfuração e exploração em águas profundas transformou o Brasil no país que dá as cartas no setor. Já em 2006, quando o país saiu do patamar de importador para o de exportador, caiu por terra de vez o aparente temor de convivência com empresas de tradição na exploração e produção de petróleo.

A quebra do monopólio, num primeiro momento, representou a entrega do ouro ao bandido, mas, num segundo, nada mais é do que uma convivência com regras definidas em um setor cujos investimentos são altíssimos à medida em que, com o alargamento do prazo inicial – 15 anos – para o esgotamento das reservas mundiais de petróleo, o salto do Brasil para o topo da produção mundial abre um leque capaz de dotar o país da condição de produzir uma nova civilização.

Contudo, em meio hoje às imensas angústias geradas por tantos obstáculos a cercar o dia-a-dia da sua sobrevivência, o brasileiro com acesso aos meios de comunicação deve ter ficado entre espantado e delirante ao ser compelido a ingressar num sonho que, à princípio, deve tê-lo feito duvidar se estava acordado ou dormindo, porque os sinais eram de que tudo isso não poderia passar realmente de um sonho.

O país se chamava Brasil. Com uma população se aproximando de 200 milhões de habitantes – o que acontecerá em, no máximo, 20 anos. Havia uma empresa petrolífera nominada Petrobras, que passara a desenvolver uma política não entreguista, própria, autonomista (sem ser nacionalista-demagógica do tipo chavista (da Venezuela) nem absolutista do tipo saudita (da Arábia Saudita).

Como o Brasil assumiu a liderança no abastecimento do mercado mundial de petróleo, elevando para mais quase um século a sobrevivência de um modelo industrial dependente do ouro negro, os recursos advindos do pré-sal foram tão bem utilizados que – 15 anos após vencido o prazo do esgotamento das reservas de petróleo nos demais países – não havia no Brasil sequer um analfabeto, sequer uma criança de três anos fora da escola, não havia sequer um brasileiro sem sua casa própria ou seu pedaço de terra para morar e plantar, os hospitais públicos ofereciam um modelo de assistência tão extensivo que até a França, onde não há plano de saúde nem para os mais ricos porque a saúde é pública e cobre tudo, fora atraída para ver como o Brasil havia socializado o direito à saúde.

E como os brasileiros eleitos para o exercício da democracia participativa e direta – então tinha havido a verdadeira reforma política sonhada hoje – prezavam valores humanos como a honestidade, a honradez, o caráter, a solidariedade e a generosidade, as escolas públicas e privadas preparavam seus alunos, vocacionados para a política, para um dia se habilitarem a assumir um posto no Congresso Nacional.

Assim, os brasileiros orgulhavam-se de ter uma jazida de 800 km de óleo cru sob uma camada marítima no pré-sal entre o Espírito Santo e Santa Catarina, e cuja exploração comercial contínua era um exemplo para o mundo: nem o Brasil usava suas jazidas para comprar armas como a Venezuela, que já comprou 4,4 bilhões de dólares de artefatos bélicos velhos da Rússia, mas não distribuiu um só metro de chão aos seus agricultores famintos, nem botou uma só criança na escola para aplacar a fome de educação do seu venezuelanos-bolivarianos.

Como os brasileiros ocupantes do Congresso Nacional usavam os espaços do debate-político para, cada um deles, criar mais defesas para o Brasil devido à eclosão de conflitos no mundo tornar-se fulminante – de sete bilhões de seres em 2009, o planeta já passaria a 12 bilhões em 2030 (crescimento esse nem aplacado pelas guerras imperialistas realizadas em vários continentes), a metade deles sem ter o que comer nem onde morar – a classe política fixou uma legislação verdadeira de defesa e manutenção da Amazônia, e permitiu que o Brasil dominasse a tecnologia nuclear, não para explodir alguém, mas para ampliar seus programas de saúde e educação.

O desenvolvimento da tecnologia da educação chega ao ápice. Todas as fontes de energia hoje alternativa como a solar, eólica, por exemplo, foram barateadas de tal forma que se tornaram rotineiras. Não havia mais no setor imobiliário quem construísse uma só habitação onde a energia a ser consumida pelo morador não viesse do sol ou dos ventos, e a economia da água não tivesse critérios rigorosos como em Cingapura, a ilha asiática, onde o custo de importação obrigou o governo a desenvolver uma tecnologia capaz de filtrar a água do xixi, de tal forma que logo se converte em potável.

O consórcio entre a Petrobras e empresas estrangeiras para a exploração de petróleo não assusta nem preocupa ao Brasil porque, como a nova Constituinte determinou que as reservas de pré-sal seriam exploradas com exclusividade pelo país, a ambição das outras nações não impediu, da mesma forma, que o país se tornasse soberano em matéria nuclear, mas sem deixar de, paralelamente, desenvolver seus projetos de energias alternativas e, com pesquisas, buscar transformar a água em energia do futuro.

A tentativa do governo Lula em deixar, ao se despedir, como rota a aplicação de parte dos recursos do pré-sal em educação, ciência e tecnologia e ampliar a clientela de bolsas família foi inteiramente modificada: educação, saúde e terra para todos. Na educação estão incluídos ciência e tecnologia; na saúde, trabalho e geração de renda e previdência social; e terra para a imensa população sem-teto das cidades e sem-terra do meio rural.

A Constituinte verdadeiramente cidadã oxigenara todo ambiente político brasileiro: fundira o Senado com a Câmara dos Deputados, estabelecera os parâmetros da democracia direta rotinizando a convocação de plebiscitos, colocando nas mãos da população os referendos sobre os grandes temas amplamente discutidos pela população, estabelecera o voto distrital ampliando-se a força da população sobre seus representantes, desestimulando-se, entretanto, o cabismo e o reduto eleitoral e, finalmente, fixara o controle externo do poder judiciário, através de colegiados de cidadão exemplares e testados para o exercício desse controle.

Os efeitos do Rivotril (faixa preta para insônia e zumbido, só comprado com receita médica), que me derrubava na cama igual a uma pedra, ameaçavam sumir, mas ainda ouvia, com o sonho se desfazendo no ar como bolhas de sabão, como as pessoas comentavam a sensação saudável de morar num país sem corrupção, onde a honestidade e o bom-caratismo eram práticas rotineiras e onde valores como lealdade, solidariedade e generosidade tinham se “rehumanizado” como na primeira metade do século XVIII, antes da Revolução Industrial.

E, antes de voltar aquela onda de estresse a me acompanhar acordado, ficava por uns instantes encantado como fora possível manter intactos quase 4,8 milhões de quilômetros quadrados do lado brasileiro dos 7,5 milhões de km² da região amazônica, depois que o empresário sueco-britânico, Johan Eliasch, leiloara, na primeira leva, 160 mil hectares da floresta amazônica com a complacência daquele Congresso Nacional finalmente substituído.

Por tudo isso, faz sentido o relançamento de uma nova campanha nacional à la Monteiro Lobato, como querem os movimentos sociais: “O pré-sal tem que ser nosso”.

30/8/2009

Fonte: ViaPolítica/O autor

O jornalista e escritor Reinaldo Cabral apresenta em ViaPolítica uma visão do ambiente das ONG’s onde atua - www.aalong.com.br. O autor acaba de concluir o romance O vôo do gafanhoto, onde ficciona como o império das drogas se instalou no Brasil e como está levando o país à derrota. Seus livros podem ser encontrados em www.estantevirtual.com.br. E-mail: reinaldocabral@hotmail.com

Reservas de petróleo no mundo até 2002, segundo a Wikipédia. Em 2009, com as novas estimativas, o Brasil subiu da 17ª posição para a 8ª, ficando acima da Líbia:
1. Arábia Saudita – 264,38*
2. Irã – 137,5
3. Iraque – 115,0
4. Kuwait – 101,5
5. Emirados Árabes Unidos – 97,8
6. Venezuela – 80,0
7. Rússia – 79.5
8. Líbia – 41,5
9. Cazaquistão – 39,8
10. Nigéria – 36,2
11. Estados Unidos – 29,9
12. Canadá –17,1
13. República Popular da China – 16,3
14. Qatar – 15,2
15. México – 12,9
16. Argélia – 12,3
17. Brasil – 12,2
18. Angola – 9,0
19. Noruega – 8,5
20. Azerbaijão – 7,0

*Em bilhões
Fonte(s): http://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3l…


Escrito por luís roberto carvalho às 14h12
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É FILME DE ARTES PLÁSTICAS!?

No debate ocorrido após a pré-estréia de “A Erva do Rato”, filme de Júlio Bressane, começou um demorado debate repetitivo em que o tal filme era muito vinculado às Artes Plásticas, à pintura e à literatura, coisa que chega a se transformar num verdadeiro pleonasmo, pois trata-se de uma livre adaptação de dois contos de Machado de Assis.

Sabemos que, com relação às Artes Plásticas, esse vínculo existe desde o início da história do cinema, pois da mesma forma que os artistas desenvolveram e fizeram uso da linguagem fotográfica, foram eles que impulsionaram a tecnologia da captação das imagens dinâmicas, devido aos estudos do movimento e do interesse de saírem do aprisionamento da imagem estática, dando, dessa forma, subsídios para os Lumiéres e congêneres da vida.

Em relação à literatura, nem precisamos comentar, pois depois do uso técnico-científico, surgiu a nos artífices a vontade de contar uma história.

Para maior elucidação do verdadeiro problema em questão, felizmente o diretor tocou na parte nevrálgica dele: o público.

Há muito tempo que existe uma tradição de dicotomia que impera entre o cinema chamado de “popular” e os ditos cinemas “de arte”, “de autor”, “underground”, etc.; o primeiro tendo como porta bandeira os filmes hollywoodianos, pornochanchadas e outros mais.

A discussão é velha, mas a guerra entre “cinemas” não, e continua mais viva do que nunca.

O que o público não entende é que Bressane faz CINEMA. Ele (público) não entende porque foi dominado pelos departamentos de marketing que impõe, entre outras coisas, que cinema é apenas aquele que favorece o verbo em detrimento da montagem. Isso nos leva a dar razão ao diretor, quando coloca que houve um “naufrágio do público”, pois “não tem dinheiro, nem cultura, nem cabeça” para se libertar dessa ditadura do mais fácil e digerível.



Escrito por luís roberto carvalho às 11h01
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E como diria Darcy Ribeiro...

“(...) Mais verdadeira é talvez a observação de que os homens atuam na vida social, e particularmente na arena política, muito mais de acordo com as circunstâncias que se apresentam – as conjunturas, como se diz – do que com o ideário que acaso tenham. Todos nós estamos permanentemente representando a nós mesmos, representando para platéias indiferentes ou coniventes, que tanto nos coagem com suas expectativas que interiorizamos como se projetam em nós.

É obvio que há lugar para graus maiores ou menores de autenticidade nessas representações. O homem comum se constrói com projeções externas interiorizadas, mas o faz de forma tão genuína que chega a convencer-se de que são suas todas as crenças.

Um cínico gostaria de construir-se seletiva e racionalmente, escolhendo aqueles traços cuja exibição fosse mais vantajosa em cada situação. Mas nem mesmo o homem comum, ingênuo, escapa totalmente de si próprio, convertendo-se num reflexo mimético das expectativas alheias, porque a própria singularidade de sua experiência existencial acaba por tipificá-lo.

Nem escapa o cínico, que tratando de intencionalizar sua imagem aos olhos dos outros, acaba por ver-se, a si próprio, com a visão amena, como se realmente fosse o que pretende parecer.”

 

Trecho de carta de Darcy Ribeiro para Glauber Rocha – “Cartas ao Mundo”, organização de Ivana Bentes

 

Todos nós gostamos de apontar a hipocrisia alheia, mas não nos damos conta de que é uma das características que acompanham o instinto de sobrevivência. Logo, acabamos todos nos tornando hipócritas em um momento ou outro, inclusive este que vos fala.



Escrito por luís roberto carvalho às 11h01
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A Política Contemporânea

“Um dos triunfos do neoliberalismo foi deslocar a política para linguagens audiovisuais e publicitárias. Essa mutação permite que grandes triunfos da época sejam para os Berlusconi (Sílvio Berluscone, primeiro ministro da Itália), os De Navez, que constroem políticas a partir da espetacularização.”

 

Ricardo Foster, filósofo argentino

 

Folha Mundo – 05/07/2009



Escrito por luís roberto carvalho às 11h00
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Homenagem a Leminski

“Epitáfio para a alma”

 

Aqui jaz um artista

mestre em desastres

 

Viver

com a intensidade da arte

levou-o ao infarte

 

deus tenha pena

dos seus disfarces

 

Paulo Leminski



Escrito por luís roberto carvalho às 10h59
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Requiem

Já viste a dor de um agonizante

em seu leito delirante?

Fiz as pazes entre orgias

e imaculados deuses mundanos

Privilegiei descentemente

os rangidos de meus dentes

E do bruxismo refaço agora

velhos sabores de outrora

Já te viste num labirinto sem fim?

Só não enxerga quem não quer

Já te viste no encruzilhar do mundo?

Já vestiste um terno num pobre defunto?



Escrito por luís roberto carvalho às 10h58
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Fundo o fosso onde me encontro

Água até o pescoço

Acho que preciso de um desconto



Escrito por luís roberto carvalho às 10h58
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